O MÉTODO FÔNICO MEDIADO (MFM) COMO ESTRATÉGIA INOVADORA NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

‎Izabel Cristina Feijó de ‎Andrade

Resumo


Este artigo analisa as dificuldades enfrentadas por professores na alfabetização de crianças com deficiência intelectual (DI) e apresenta o Método Fônico Mediado como proposta inovadora fundamentada em evidências científicas. O objetivo central foi identificar percepções docentes, discutir fundamentos neurocientíficos, cognitivos e pedagógicos aplicáveis à alfabetização inclusiva e propor alternativas metodológicas eficazes. O público-alvo compreendeu professores da educação básica atuantes em contextos inclusivos, especialmente aqueles que participaram das 12 edições da Jornada da Nova Era da Alfabetização de Crianças com DI, evento que reuniu mais de 100 mil docentes. A metodologia utilizada foi quantitativa e exploratória, baseada em questionários eletrônicos com 30.802 respostas. A pergunta central — “Você tem dificuldade de alfabetizar crianças com D.I.?” — revelou que 95,9% dos professores declararam não saber como proceder. Os dados foram analisados à luz da neurociência da leitura (Stanislas Dehaene), da Modificabilidade Cognitiva Estrutural e Experiência de Aprendizagem Mediada (Reuven Feuerstein) e dos estudos sobre memória e aprendizagem (Ivan Izquierdo). Os resultados evidenciam que a dificuldade não está na incapacidade das crianças em aprender, mas na ausência de estratégias pedagógicas adequadas e formação continuada específica. O MFM surge como alternativa concreta, articulando consciência fonêmica, mediação cognitiva e multissensorialidade (som, articulema, gesto e significado), favorecendo não apenas avanços na leitura, mas também autoconfiança docente. Conclui-se que a alfabetização inclusiva exige metodologias fundamentadas em ciência, suporte institucional e políticas públicas de formação que garantam acesso universal à cultura escrita.

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