ALFABETIZAÇÃO INCLUSIVA NA REDE REGULAR: O QUE REVELAM AS PROFESSORAS E COMO O MÉTODO FÔNICO MEDIADO (MFM) RESPONDE AOS DESAFIOS

‎Annabel Cristini Feijó ‎Peres

Resumo


Este artigo tem o propósito de analisar as práticas, desafios e percepções de professoras da rede regular na alfabetização de crianças com deficiência intelectual, propondo o Método Fônico Mediado (MFM) como resposta estruturada. Para tanto, foi necessário: (i) mapear as principais dificuldades docentes; (ii) identificar lacunas formativas e de gestão; (iii) categorizar dores recorrentes em sala; e (iv) delinear caminhos metodológicos baseados em mediação cognitiva e ensino fônico explícito. Dessa forma, apresentamos uma fundamentação que integra Modificabilidade Cognitiva Estrutural, neuroeducação da leitura e multissensorialidade aplicada à alfabetização inclusiva. Essa discussão teve como base os estudos de Feuerstein et al (1997), Vygotsky (1988), Dehaene (2012), Andrade (2023, 2025). A metodologia adotada foi pesquisa qualitativa e quantitativa, com questionário on-line (set/2025) aplicado a 757 participantes (taxa de resposta qualitativa: 98%; 739–743 respostas válidas por campo), análise de conteúdo temática (Bardin) e estatística descritiva do perfil (40,3% entre 45–54 anos; 56,4% até 2 salários; 65,7% nunca compraram cursos on-line). As análises de dados permitem considerar que cinco dores centrais — insegurança metodológica, escassez de materiais e rotinas, dificuldades atencionais/comportamentais, sobrecarga com baixo apoio e desalinhamento escola–família–gestão — comprometem a aprendizagem, mas são superáveis com o MFM, que fornece protocolos claros, rotinas replicáveis (som–gesto–imagem, correspondência grafema–fonema), microtarefas de foco e pactos de acompanhamento, resultando em maior engajamento, atenção, fluência inicial e previsibilidade pedagógica. Conclui-se que a alfabetização inclusiva é possível e sustentável quando mediada com intencionalidade, afeto e ciência.

Palavras-chave


Método Fônico Mediado. Mediação Cognitiva. Alfabetização. Criança com deficiência intelectual.

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Referências


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